Inverno pode secar água do ‘volume morto’ do Cantareira, diz consórcio

Rio Piracicaba já tem banco de areia aparente devido à falta de chuvas (Foto: Camila Ancona/G1)

Reserva é suficiente para abastecer Grande São Paulo por quatro meses.
Relatório aponta possibilidade de uso ‘inédito’ do reservatório já em julho.

A água do chamado “volume morto” do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo e as regiões de Piracicaba e Campinas, no interior do estado, poderá secar antes do início do período de chuvas, em outubro, caso o reservatório seja usado ao longo da estiagem do inverno, segundo alerta do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O risco de se consumir essa reserva, segundo informou nesta sexta-feira dia 4, o consórcio, existe porque, nos meses de frio, a tendência é que o volume de chuvas diminua ainda mais.

Nesta semana, um estudo do Grupo Técnico de Assessoramento para Gestão (GTAG) do Cantareira antecipou de agosto para julho a previsão de “colapso” do sistema, quando já será inverno, e que deve gerar necessidade de captação do “volume morto”, reservatório nunca antes utilizado e onde equipamentos que bombeiam a água não chegavam. Em março, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) iniciou obras para captar essa água.

O “volume morto” do Cantareira tem água suficiente para abastecer a Grande São Paulo durante quatro meses. Se ele começar a ser usado em junho, quando começa o inverno (no dia 21), poderá ser consumido até setembro, início da primavera, conforme o PCJ.

Segundo o consórcio, seria necessário chover 1 mil milímetros ao longo de três meses nas cabeceiras dos rios para recuperar o sistema e manter o reservatório extra intacto, mas exceto pela ocorrência de fenômenos extremos, que não podem ser previstos, essa quantidade de chuvas dificilmente ocorrerá, já que durante 2013 inteiro choveu cerca de 1,2 mil milímetros.

Cantareira opera com 12,94% da capacidade neste início de abril (Foto: Reprodução/EPTV)

Audiência na Câmara
Em audiência pública sobre o Cantareira na Câmara dos Deputados, nesta quinta-feira dia 3, o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, disse que o “volume morto” deve ser poupado “o máximo possível e servir apenas como uma reserva estratégica para momentos extremamente críticos. É necessário preservar os reservatórios”. Apesar do alerta, ele disse que julga necessárias as obras da Sabesp que permitirão a captação “inédita”.

De acordo com nota divulgada pelo órgão, o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, participou da audiência e também disse que a possibilidade de utilização do volume morto nas atuais circunstâncias coloca o abastecimento em “grande risco” e exige cuidado na tomada de decisões sobre o tema. Normalmente, o Cantareira inicia o inverno com 60% de sua capacidade, mas neste começo de abril está com 12,94%, conforme dados da Sabesp.

Informações: G1